Muitos Carnavais

domingo, julho 31, 2005

Verbos

Chorar, Berrar, Nascer
Brincar, Pular, Crescer

Gozar, Dançar, Beber
Estudar, Trabalhar, Correr

Beijar, Amar, Sofrer
Tentar, Amar, Aprender

Amar, Cuidar, Conceber
Viajar, Descansar, Envelhecer

Morre-se um pouco todos os dias
De tédio, de raiva, de medo
De cansaço, de desespero

E os verbos
Que contam nossa vida
Hão de falar se ela foi bem vivida

É preciso sair desse marasmo
E que viver uma vida bem vivida
Seja realmente um pleonasmo

É preciso uma nova concepção
Não um carpe diem sisplesmente
Mas apenas um olhar diferente

Pois morrer pra viver é viver pra morrer
É preciso, então, prazer
É preciso, então, querer

É preciso, é precioso
O tempo
Pois não o temos na mão

Chorar, Berrar, Nascer
Brincar, Pular, Crescer

Gozar, Dançar, Beber
Estudar, Trabalhar, Correr

Beijar, Amar, Sofrer
Tentar, Amar, Aprender

Amar, Cuidar, Conceber
Viajar, Descansar, Envelhecer

Deitar, Sonhar, Recomeçar

quinta-feira, julho 28, 2005

Gato e Rato

Começa mais um jogo
Pra todo país ver
E espaço na mídia
Todos querem ter

Uns lutam pra aparecer
Enquanto outros, em vão
Tentam se esconder

E mesmo dizendo que não
A batata quente passa
De mão em mão

É PT, PL, PP
Tome muito cuidado
O próximo pode ser você

Mas nesse jogo
De gato e rato
É o brasileiro
Quem paga o pato

Nesse jogo
Em que caça vira caçador
Está provado
É preciso ser um bom ator

A torcida da direita
Só na espreita
Não sabe mais de quem suspeita

A torcida da esquerda
Antes feliz
Agora pensa: escapei por um triz

E aqui, a única regra
Deputado que fica parado
A onda vem e leva

Mas nesse jogo
De gato e rato
É o brasileiro
Quem paga o pato

E Fulano
Acusa Cicrano
Que acusa Beltrano
Que não sabia?

E como falar em propina
Se fulano jura
Que não pedia

Com o jogo chegando ao final
A torcida pergunta
Se não haverá resultado real

E o povo já querendo esquecer
Pagou ingresso prum jogo
Que nunca quis ver

Mas nesse jogo
De gato e rato
É o brasileiro
Quem paga o pato

sexta-feira, julho 22, 2005

Não se preocupe

Não
Não se preocupe comigo
Já tive meu castigo
Aprendi minha lição, será que não? / Oh, pobre coração

Não
Não se preocupe conosco
Só ficou o desgosto
O resto é encenação / O resto é mera ilusão, decepção

Não
Não se preocupe com os outros
Não são seus amigos
Não precisam saber, o porquê / Não precisam saber, de você

Mas
Depois que eu te esquecer
Não vá querer
Não vá querer que eu
Me preocupe com você

quinta-feira, julho 21, 2005

Voltar a Viver

Migalhas de afeto
Transformadas em pão
Por um peito combalido
Carente de emoção

E se o pouco que tenho
Não fosse melhor do que não te ter
Talvez eu quisesse
Voltar a viver

Um toque
Um sorriso
Milhas que são tratadas
Como um passo para o paraíso

E se, por um instante,
Eu me esquecesse de ter que esquecer
Talvez eu pudesse
Voltar a viver

Verdadeiro viciado
Com síndrome de abstinência
Pedindo mais uma dose
Sem o mínimo de decência

E se eu não levasse comigo
Esse medo de te perder
Talvez eu tentasse
Voltar a viver

Prisioneiro de um sonho
Do qual não se quer acordar
Segue o eterno sonâmbulo
Esperando o despertador tocar

Mas se eu conseguir lembrar
Que já fui feliz sem você
Talvez eu consiga
Voltar a viver

Lamento

De que adianta
Viver nas sombras
De um outro eu
Que não existe mais

De que adianta
Olhar pro céu
Se esse pretenso paraíso
Não me satisfaz

De que adiantam
Asas de Ícaro
Se o Sol existe
Só pra me derrubar

De que adiantam
Todas as lágrimas
Se estou sozinho
E ninguém me vê chorar

De que adianta
Cantar esse lamento
Se para essa voz rouca
Não há ouvido atento

domingo, julho 17, 2005

Lembranças

O Sol bate em meu rosto
Não te vejo do meu lado
Lembranças de uma noite
Que não aconteceu

Lavo minhas mãos
O espelho, um retrato
Lembranças de alguém
Que não te esqueceu

Tomo o meu café
Ainda meio amargo
Lembranças de manhãs
Antes tão normais

Visto minhas roupas
Todas muito cinzas
Lembranças de cores
Que não vejo mais

Sigo meu caminho
Penso no teu nome
Lembranças de uma vida
Agora sem você

Versos Falsos

Versos falsos
Rimas de dicionário
Verdadeiro intruso
Invadindo um santuário

Um íntimo estranho
Tentando te convencer
De sentimentos tantos
Que nem eu creio ter

Noites frias
Beijos sem sabor
E sigo te enganando
Dizendo que é amor

Em meus olhos
Em meu jeito
Promessas tão vazias
Quanto o que carrego no peito

E se em algum momento
Achas que te tiro o chão
Como a ler teu pensamento
Chego pra te dar a mão

De canalha
A bom moço
Te levo comigo
Até o fundo do poço

E ainda assim
E mesmo sem razão
Peço que confies em mim
Peço que não me digas não

sexta-feira, julho 15, 2005

Desabafo

Faltam saúde e educação
Sobram escândalos de corrupção

Nessa nação
De arrependidos
Todas as siglas
Deixam corações partidos

As denúncias
Manchetes de Jornal
Não cabem mais
Na página policial

Aqueles envolvidos
E seus advogados
Repetem em nossos ouvidos
Não podem ser incomodados

Mas quando perguntados
Sobre um tal de mensalão
Uns dizem que sim
Outros não dizem que não

E enquanto lá no Congresso
Segue um lento processo
Crianças morrem de fome
Nas ruas de um país sem nome

Mas que fique bem claro
Nem todos são assim
É a essa minoria
Que temos de dar um fim

À politicagem corrupta
Desse sistema senil
Gritemos, de forma abrupta
Vá à Puta que a pariu

quinta-feira, julho 14, 2005

Paráfrases

E se a cortina se fecha
Sobre o palco vazio

E se há apenas saudade
Nesse coração vadio

E se a saudade não é mais
Do que a lembrança de amar

Pensamentos soltos
A flutuar no ar

E se eu não tiver mais tinta
Para tentar te esquecer

E se a este autor
Faltar o que escrever

Só me restará te dizer
Ainda que atordoado

O que sinto por você
São paráfrases
De um sentimento inacabado

quarta-feira, julho 13, 2005

Noites Insones

Noites Insones
Na frente da TV

Noites em vão
Tentando te esquecer

Perdoa esse pobre coração
Cujo pecado maior foi te amar

E se essa dor fosse um botão / Queria que essa dor fosse um botão
E se com apenas um toque / E que com apenas um toque
Eu pudesse apagar / Eu pudesse apagar

E se eu pudesse acreditar
Que isso realmente foi amor

Talvez fosse mais fácil de lidar
Com o vazio que sinto
Com esse torpor

terça-feira, julho 12, 2005

Loteria

Em um lugar imaginário
Existe uma loteria
Diferente de muitas outras
Todos os dias premia

E o mais impressionante
E mostra a falta de um norte
Aos vencedores, "que sorte"
O prêmio dado é a morte

Neste grande sorteio
Não há como perder
Para dele particpar
Basta apenas nascer

Imagine se a esse lugar
Onde o que se planta não se come
Pudéssemos inventar
Púdéssemos dar-lhe um nome

Imaginou?

Seja bem-vindo à África
Onde se sorteia o homem
Seja muito bem vindo
À loteria da fome

quarta-feira, julho 06, 2005

Ísis

Dias muito curtos
Noites longas demais
Passam-se as horas
Todas muito iguais

No espelho,
As olheiras de quem crê
De quem espera um encontro
Que não vai acontecer

Como o dia ao anoitecer
Ou a noite ao amanhecer
Um casal apaixonado
Que não chegou a se conhecer

E se fosse só o caso
De trocar a noite pelo dia
Juro, eu aceitaria

Mas que importa
Se na íris
Refletida no espelho
Só vejo Ísis