A suposta existência
“Que importa a paisagem, a glória, a baía, a linha do horizonte?
Isso ocorre toda vez que volto a Belém... Um misto de alegria por rever a cidade em que me criei e de receio, por não mais saber o que posso nela encontrar...
A verdade é que faz tempo que não consigo me sentir verdadeiramente em casa quando vou à “Cidade das Mangueiras”... A cada visita, a cidade parece diminuir, fechando-se em cima de mim.
Ocorre que também não me sinto à vontade o suficiente para dizer que Brasília é meu novo lar... O máximo que posso dizer é que, quem já mora aqui há um período razoável de tempo tende a se acostumar com o ritmo da cidade (dá pra ir levando).
Contudo, se não sou capaz de me ver nem em um lugar, nem em outro, onde estou?
Esse limbo em que, racionalmente (mas não intencionalmente), me coloquei foi, sem dúvida, agravado com a minha graduação. As novas perguntas que surgiram (o que fazer agora? Investir em uma profissão que não consigo me enxergar praticando no futuro? Começar um novo curso? O que vale a pena?) só ajudaram a balançar ainda mais a frágil corda em que venho me equilibrando...
Problema maior é que a vida não espera que você considere todas as opções para, depois de detida e profícua análise, tomar uma decisão completamente informada. Se assim o fosse, tudo seriam flores (rosas sem espinhos) e a vida, um verdadeiro passeio no parque.
Talvez a questão maior (uma vez que é muito pouco provável a invenção de um aparelho que faça o tempo parar), então, não seja necessariamente como tomar as decisões mais acertadas, das quais teremos certeza de que não haverá arrependimento.
Talvez o que seja realmente importante é tomar a decisão, não sendo tão relevante se, no futuro, tenhamos que fazer alguns “consertos”.
Talvez, finalmente, viver seja necessariamente um constante aprendizado a partir de erros passados (seus e de outros), cabendo a você, unicamente, decidir se a recompensa que se almeja vale os riscos que normalmente se apresentam no caminho. No meu caso, particularmente, só posso dizer:
“Do que adianta você ter esta alma colada aos ossos dessa carne errada? Sem o risco, a vida não vale a pena” (Goethe)
